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10/10/17 20:20

Sobre McVegan e os rumos do movimento vegano

Reflexões rumo à libertação animal.

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Sobre McVegan e os rumos do movimento vegano
Foto: n
A pessoa não aprova o McVegan pra não financiar uma multinacional que mata muitos animais, mas compra um hambúrguer vegano de uma rede pequena, porque é menos pior, já que ela mata menos animais. Isso significa que quando esta rede menor crescer, ela vai deixar de financiá-la? A resposta a esta pergunta nós já conhecemos. Esta rede menor ainda não matou muitos animais, e pode se tornar vegana antes de causar mais danos. Mas é garantido que comprar opções veganas de um estabelecimento não vegano faça ele se tornar vegano? Certamente não. Pelo contrário, enquanto a maioria das pessoas ainda prefere as opções com carnes, laticínios e ovos, as chances maiores são da rede crescer e, consequentemente, matar mais animais. Por outro lado, um sanduíche vegano no cardápio de uma grande rede não vegana talvez tenha mais resultados, no que diz respeito à pessoas conhecendo uma alternativa sem carnes, laticínios e ovos. Pessoas que vão olhar pro cardápio e ficar curiosas sobre aquele sanduíche inusitado. Ora, pode ser um bom sanduíche, ou não. Ainda assim, ela pode ficar interessada em saber mais sobre o aquela desconhecida palavra "vegan". Foi exatamente por meio da curiosidade que a maioria de nós se tornou vegano. Em meio à nossa vida corrida, algo despertou nossa curiosidade, e nós quisemos saber mais. Os grupos ativistas tem um papel fundamental no avanço do Veganismo, claro, mas não podemos esperar todas as pessoas terem se depararem com uma ação ativista. Enquanto isso, milhões de pessoas estão nas filas do McDonald's e de outras multinacionais, sem conhecer uma alternativa sem ingredientes de origem animal. Diante do exposto, até onde podemos definir o que é menos pior, já que empresas se tornarem veganas depende de clientes se tornando veganos primeiro? Será que não tem qualquer valor um cliente do McDonald's optando por deixar sua opção onívora de lado para experimentar uma vegana, mesmo que seja apenas uma vez? E os que poderão experimentar mais vezes e conhecer o Veganismo a partir disso, podendo até se tornarem vegans? Acha impossível? Então você não acredita no que aconteceu contigo, um(a) vegan ex-viciada(o) em carnes, laticínios e ovos, que um dia decidiu mudar? Devemos esperar que os clientes das grandes redes exploradoras de animais se deparem com uma ação ativista e deem atenção? Devemos esperar que saiam das filas e pensem "oh, hoje eu vou procurar uma opção vegana."? Devemos esperar ativistas irem às filas das grandes lanchonetes e restaurantes e convidarem pessoas a conhecerem estabelecimentos veganos? O quanto isso é viável? E, mesmo sendo, quantas aceitariam o convite? Ó, mais espere um momento, anda seria preciso explicar que, se ela quiser aderir ao Veganismo, terá de comer apenas em estabelecimentos veganos, pois, lembremos que financiar um local pequeno onívoro pode ajudá-lo a se tornar grande. "Bem, mas eu vou a hipermercados, porque preciso fazer minhas compras, mesmo sendo grandes redes que lucram em cima de inúmeros produtos oriundos da exploração animal. Mas eu posso deixar de ir ao McDonald's, e isso define tudo.", diz o ativista vegano abolicionista. Ele agora aprendeu este novo termo, e não para mais de usar, nem de entrar em conflitos por conta de seu novo rótulo, com colegas de causa que ele chama de "pseudo veganos". Esquece ele de sua própria história de ex-viciado, tendo se tornado um ícone, apto a elaborar o estatuto mundial do Veganismo. Ele passa seu tempo livre tentando evitar que as pessoas comprem de grandes redes (pelo menos das que ele próprio já boicota, tirando os hipermercados, farmácias, laboratórios, entre outras.) "Ora, mas você pode deixar de ir ao McDonald's", diz. Esquece ele de sua própria história de ex-viciado, quando tinha amigos veganos, os quais eram alvos de suas piadas. Para quem ainda não conhece, o termo "abolicionista" refere-se ao mesmo significado do passado, quando assim eram chamados aqueles que atuavam em prol do fim da escravidão humana. Hoje, o Veganismo é um movimento considerado abolicionista, que trabalha pelo fim da escravidão dos animais não humanos, além de continuar trabalhando pelo fim da escravidão ou outras formas de exploração humana, que ainda existem em vários locais do mundo. No entanto, o termo "abolicionista" passou a ser usado de forma explícita por muitas pessoas veganas, pois existem realmente muita gente que se intitula vegan, mas que "comem carne de vez em quando". O problema é que o termo também é usado para segregar, criando um muro dentro do próprio Veganismo, estando do outro lado pessoas que também são veganas, mas acreditam que vale à pena apoiar opções veganas em todos os lugares, incluindo grandes redes exploradoras de animais, ou melhor, grandes lanchonetes e restaurantes, porque hipermercados, farmácias, laboratórios, etc., não é possível e praticável deixar de financiar. Você que leu tudo isso e não é vegan deve estar pensando "Nossa, é muito complicado ser vegan, e são pessoas chatas! Tô fora!" Bem, na verdade não é complicado. É só algumas pessoas que fazem parecer, com tantas regras. Mas pessoas chatas você vai encontrar em todos os grupos, inclusive no Veganismo. No entanto, ao decidir mudar seus hábitos, você o faz por uma causa maior. Decidir pelo Veganismo é apenas fazer o possível e praticável para libertar os animais não humanos da escravidão, pois eles sofrem como nós! Como vantagens adicionais, você vai contribuir para a causa ambiental e tem mais chances de melhorar sua própria saúde, já que reduzir produtos de origem animal e aumentar o de vegetais ajuda bastante neste aspecto. As grandes redes de empresas estão aí, e precisamos lidar com isso. É a realidade que temos, e é dentro dela que trabalhamos. Então, se você compra de uma grande rede, saiba que já é possível comprar muitos produtos sem ingredientes de origem animal e que não são testados em animais. Contudo, veja bem, mesmo que você simplesmente foque em comprar produtos sem carnes, laticínios, ovos, mel, e outros ingredientes fáceis de identificar, estará ajudando a não financiar o que sustenta a existência de todos os outros ingredientes de origem animal secundários. Encorajamos você a se informar cada vez mais, mas se achar que isso não é praticável ainda pra você, não haveríamos de condená-lo, certo? Não há nenhuma corte vegana formal pra lhe condenar (apenas as informais, rsrs). Você não precisa nem mesmo se preocupar em se intitular vegan, se achar melhor. Ou você pode até se intitular, enquanto vai aprendendo a avançar nas práticas veganas, como faz muita gente. O mundo vegano é exatamente assim: muitas pessoas se tornam veganas, e após isso ainda consomem produtos que tinham um ingrediente de origem animal que passou batido ou não sabiam que eram testados em animais, ou simplesmente porque precisaram comprar, mesmo sem se certificar de todos os ingredientes ou se eram produtos testados. Sim, existem pessoas veganas mais informadas, que já boicotam vários produtos e até empresas inteiras, e você poderá chegar a esta postura com o tempo. No entanto, isso não impedirá que você continue de acordo com a ideia de que o Veganismo precisa chegar a todos, principalmente às pessoas que frequentam as grandes redes exploradoras de animais. Ahh o vegano abolicionista, aquele que certa vez comeu hambúrguer e salsicha de soja de uma grande empresa frigorífica, iogurte de indústria leiteira, e até batata frita de grandes lanchonetes carnistas, mas que hoje abomina opções veganas destas mesmas empresas, pois ele já atingiu a iluminação vegana, então, por que haveria de se preocupar com pessoas que hoje estão no mesmo nível que um dia ele esteve? Imagina o que ele sentiria se aquele vegano que hoje planta seu próprio alimento, um dia chegar pra ele e dizer que consumir industrializados não é uma atitude vegana... Se você gostou deste texto, compartilhe pra levar a reflexão adiante!
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